PELO FIM DO AUTORITARISMO DIGITAL TRANSPARÊNCIA JÁ, CONTRA ASABOTAGEM DA DEMOCRACIA NA UNIR

A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Rondônia (ADUNIR — Seção Sindical do ANDES-SN) vem a público, com veemência e indignação, denunciar o que já não se pode mais tratar como meros “indícios” ou “falhas técnicas”: trata-se de um sistemático e deliberado processo de desmonte da democracia universitária por meio da utilização fraudulenta, opaca e autoritária do Sistema de Eleição (SiE) da UNIR.

O que está em curso não é fruto do acaso, nem de incompetência isolada. Há um padrão que se repete desde 2017, passando pelas eleições de 2024 e que agora, em 2026, volta a vitimar a comunidade acadêmica com as mesmas práticas de cerceamento, manipulação e violação de direitos fundamentais. A insistência em manter um sistema sabidamente fraudulento, frágil e inseguro revela, na verdade, a intenção de controlar os processos eleitorais, neutralizar a soberania da comunidade universitária e perpetuar grupos no poder à revelia da vontade coletiva.

A FARSA DA NEUTRALIDADE TECNOLÓGICA E A QUEBRA SISTEMÁTICA DO SIGILO DO VOTO

O SiE nunca foi um sistema confiável. Desde 2017, as evidências apontam para um conjunto
de irregularidades que ferem a própria essência do processo eleitoral: votos contabilizados a
mais do que eleitores, fotos trocadas, eleitores impedidos de votar sob a falsa alegação de
que já haviam votado, votos nulos lançados indevidamente sobre candidatos regularmente
inscritos, ausência de listas nominais de votantes e, o mais grave, a quebra deliberada do
sigilo do voto.
O episódio em que a Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI) entregou, via e-SIC, a
relação nominal de eleitores com a indicação de seus respectivos votos, demonstra de forma
cabal que o sistema foi concebido — ou adaptado — para permitir rastreabilidade e controle.
Isso não é falha: é característica. Trata-se de uma arquitetura de vigilância que permite à
gestão identificar e retaliar eleitores com base em suas escolhas. Em um Estado Democrático
de Direito, isso configura crime.

A GESTÃO DA FRAUDE E O AUTORITARISMO QUE SE TRAVESTE DE “ESTABILIDADE
INSTITUCIONAL”

Em 2024, diante de provas documentais robustas — incluindo a atuação promíscua do então
vice-reitor no exercício da reitoria, que acumulava funções de gestor, cabo eleitoral e membro
da comissão de apuração — o Conselho Superior Universitário (CONSUN) optou por manter
o resultado fraudulento sob o argumento de “estabilidade institucional”.

Essa decisão é um marco na história da universidade pública brasileira: pela primeira vez,
institucionaliza-se a tese de que a estabilidade de um grupo no poder vale mais do que a lisura
do processo democrático. A “estabilidade” invocada foi, na prática, a perpetuação de um
resultado obtido por meios ilícitos. Estabilidade sem democracia não é estabilidade: é
ocupação autoritária do poder.

A REPETIÇÃO DOS FATOS EM 2026: AUTORITARISMO COMO MÉTODO

A eleição para os conselhos superiores, suspensa em 26 de março de 2026, repete
exaustivamente as mesmas inconsistências: candidatos que tiveram seus votos registrados
como nulos ao serem digitados corretamente, eleitores que não conseguem votar, fotos
trocadas, ausência de confirmação visual do voto. Não se trata de “problemas técnicos”. Tratase da reprodução intencional de um modelo de gestão eleitoral que favorece a manipulação.
Enquanto isso, no Campus de Guajará-Mirim, um processo eleitoral em curso já registra
denúncias de votos registrados por terceiros sem a anuência dos eleitores, além do
afastamento preventivo de servidores acusados, supostamente, de violar o sistema e, ao que
se tem conhecimento de relatos de professores daquele Campus, o caso vem sendo
investigado pela Polícia Federal.

A INSTRUMENTALIZAÇÃO DA TECNOLOGIA COMO FERRAMENTA DE CONTROLE
POLÍTICO

O SiE não é um sistema de votação. É um sistema de controle de vontades. Sua manutenção,
a despeito de todas as denúncias, recursos, provas e da existência de alternativas
transparentes e auditáveis (como as adotadas recentemente nos campi de Ji-Paraná e no
NUCSA, sem qualquer transtorno), demonstra que a questão nunca foi técnica: sempre foi
política.
A Universidade Federal de Rondônia, por meio de sua gestão superior, insiste em utilizar um
sistema que:
– viola o sigilo do voto;
– impede a identificação confiável do eleitorado;
– gera relatórios formalmente inválidos;
– opera sem transparência e sem controle social;
– já foi alvo de processos administrativos com afastamento de servidores;
– e continua sendo empregado mesmo após sucessivas comprovações de fraude.


Essa insistência configura sabotagem à democracia universitária. A universidade que se
pretende pública não pode tolerar que instrumentos de participação sejam convertidos em
mecanismos de controle. A ausência de transparência na apuração, a recusa em divulgar atas
e relatórios, a inexistência de auditoria externa independente e a concentração do controle do
sistema na DTI, sem supervisão efetiva das comissões eleitorais, revelam um estado de
exceção eleitoral dentro da UNIR.

DEMOCRACIA NÃO SE SUSTENTA SEM TRANSPARÊNCIA

Defender a democracia na UNIR é denunciar que não há liberdade de escolha onde o voto
pode ser rastreado. Não há participação legítima onde eleitores são impedidos de votar sob
falsas alegações. Não há processo democrático onde as regras são violadas pelos próprios
responsáveis por aplicá-las. Não há universidade pública onde a gestão superior atua como
blindagem de fraudes.

A ADUNIR, ao longo de todos esses anos, tem cumprido seu papel: denunciou, recorreu,
protocolou ações, acionou o MPF e a Polícia Federal. Mas a omissão das autoridades
investigativas diante da gravidade dos fatos até agora tem sido um estímulo à continuidade
das práticas autoritárias.

É HORA DE ROMPER O CICLO

Chegou o momento de a comunidade universitária assumir o protagonismo que lhe foi
usurpado. A ADUNIR convoca docentes, técnicos e estudantes a:
– rejeitar qualquer processo eleitoral conduzido pelo SiE;
– exigir a imediata instituição de comissões eleitorais independentes, com participação
paritária e poder efetivo de auditoria;
– cobrar a instauração de inquérito policial e procedimento administrativo amplo para
apurar todas as fraudes e violações de sigilo desde 2017;
– defender a adoção de sistemas de votação abertos, auditáveis e amplamente testados
no âmbito das universidades públicas brasileiras;
– romper com a lógica autoritária que normaliza a fraude em nome da “governabilidade”.
A universidade não pode ser gerida como feudo. A tecnologia não pode servir à vigilância. O
sigilo do voto não pode ser negociado. E a democracia não pode ser suspensa em nome de
“estabilidade”.

Por uma universidade verdadeiramente pública, democrática e transparente, a ADUNIR
seguirá denunciando, resistindo e levando ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal
todas as evidências desse sistemático processo de sabotagem democrática.
Que se investiguem os responsáveis. Que se anulem os processos viciados. Que se enterre
o SiE. Que a vontade da comunidade acadêmica seja soberana — e não refém de um sistema
eleitoral que a vigia, a controla e a viola.

Associação dos Docentes da Universidade Federal de Rondônia — ADUNIR
Seção Sindical do ANDES-Sindicato Nacional

Porto Velho, 29 de março de 2026

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